Antes o voo da ave, que passa e não deixa rasto,

Antes o voo da ave, que passa e não deixa rasto,

Que a passagem do animal, que fica lembrada no chão.

A ave passa e esquece, e assim deve ser.

O animal, onde já não está e por isso de nada serve,

Mostra que já esteve, o que não serve para nada.

A recordação é uma traição à Natureza.

Porque a Natureza de ontem não é Natureza.

O que foi não é nada, e lembrar é não ver.

Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!


Alberto Caeiro




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Manoel de Barros

"Não gosto de palavra acostumada."

 
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"Mais ternura, menos tolice". Carol Balarini @2020